segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sobre ansiedade, barcos e metáforas...



Leitor imáginário, eu sou muito ansiosa. Se você também é, sabe do que eu estou falando. Eu não fico roendo minhas unhas ou comendo caixas inteiras de chocolate, como algumas pessoas fazem, talvez essas pessoas tenham um tipo diferente de ansiedade...


Não tenho paciência para esperar nada, tenho vontade de correr, de fazer logo. Sejam meus desenhos, meus livros, seja meu tão procurado trabalho... Esse último me deixa absolutamente tensa.


Esses dias li numa revista uma frase que dizia que "devemos deixar o barco correr". Eu não entendo nada de barcos, mas sei que não tenho paciência pra deixar o barco correr. Se eu tivesse um, eu ia posicionar a vela na direção em que eu quisesse seguir, eu ia remar, e se não tivesse remo nem vento eu mesma ia soprar até conseguir chegar ao meu destino. Afinal não dá pra sentar no barco e esperar que ele vá para onde bem entender, afinal ele é só um barco e não sabe de nada.


O barco é meu e eu estou no comando. Mas sei que mesmo que eu tente posicionar o barco, muita coisa pode acontecer, o tempo pode mudar, podem aparecer motivos que me façam voltar, eu posso perder os remos, me cansar e ficar sentada lá a toa...


O ponto é, se eu deixar o barco correr eu não sei pra onde ele vai sismar de ir, e eu tenho direções bem definidas pra ele. É disso que sofrem os ansiosos.


O ruim nos ansiosos é que eles querem controlar o barco o tempo todo, e ficam aflitos quando tem que esperar algo que não depende deles.


Há uma maneira de tentar amenizar isso: as vezes devemos deixar o barco correr, as vezes temos que tomar a direção. Parece simples, mas sei que não é. Sei que a ansiedade não vai acabar, mas o motivo eu já disse: Deve ser porque eu não entendo nada de barcos...

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